16/03/2013

Era pra ser uma pergunta despretensiosa...

- Por que cuida tanto deste sorriso se vive chorando?
- Sei la... É como se eu sentisse que meu dia ainda vai chegar, sabe?!  Só quero estar pronta.
- Te entendo. Mas você não acha que poderia fazer isso de maneira diferente?
- Diferente como?!
- Encarando as coisas de frente! Fazer as coisas com garra! Correr atrás de verdade!
- E quem disse que eu não estou fazendo isso?
- Chorando deste jeito... Não parece.
- Não sei engane, pequeno. Não pense você que o choro é uma fraqueza, pois, ele, muitas vezes, reflete a armadura mais forte de um guerreiro. O choro não é só medo. É humildade. É reconhecer um sentimento e exterioriza-lo! E nessa Era de Pedra quem é que tem coragem pra mostrar o que realmente sente? Só os fortes! Só os grandes!
- Nossa, quem vê assim, até pensa...
- Pensa o quê?! Deixa disso! Não tenho medo que me achem fraca, tenho medo que me achem forte. Me achando forte vão querer me derrubar. Agora, me achando subestimando posso surpreende-los na esquina!
- É, faz sentido.
Laura tinha os olhos cintilantes neste momento. Ela sabia que o que era dela estava guardado. E ela ia buscar! Como um pirata que navega em busca de seu baú de ouro, Laura navegaria em busca da felicidade. Não importa quantos mares teria que navegar. Ou quantos piratas destruidores de sonhos teria que enfrentar. Porque Laura... Laura era um navio. E navios não foram feitos pra ficar em portos.

10/03/2013

TPM

- Onde você estava?
Desculpa, tava arrumando a geladeira.
- Oi?
 Ta tudo uma bosta...
- Como assim?
A geladeira... Ta horrível. Completamente bagunçada, tudo fora de ordem. Olha, olha só! Os tomates não podem ficar na mesma prateleira que os ovos. A Margarina tem que ficar na parte mais alta, o alface na baixa. Esta vendo? Esta tudo errado...
- Bem, com calma as coisas se ajeitam...
Não! Não é preciso calma. É preciso atitude. Não se pode ficar passível destas situações. É preciso agir.
- Ok. Ainda estamos falando da geladeira?
Claro, do que mais seria?
- Da sua vida!
Da minha vida?! Que vida? Você realmente acha que tenho uma vida? Enquanto eu poderia estar la fora, praticando corrida..
- Você tem Asma!
Fazendo academia...
- Que você detesta!
Andando de Bicicleta...
- Que você não tem!
Ah, sei la! Fazendo qualquer coisa! Mas não, estou aqui. Arrumando uma geladeira... Acho que cada um merece o destino que tem.
- Acho que você esta na fase de aceitação.
Fase de aceitação?
- Sim, um dos estágios da revolta...
Ta de brincadeira, né?!
- Não, é sério. Primeiro você da inicio a uma sequencia de ações das quais você não sabe pra que servem. Depois você toma nota da idiotice que esta fazendo e explode. Xinga, grita, chora, perde a paciência. Por fim, você aceita a situação. Volta a fazer os relatório, lavar a louça, limpar a geladeira ou o que for. Se der sorte, rasga os relatórios e quebra a mesa na cabeça do chefe, quebra as louças inglesas que herdou da sogra e joga a geladeira pela janela . Mas se der azar...
O que acontece se der azar?
-Bom, se der azar, você encontra alguém que lhe faça sorrir, te dê chocolates e volta a sua rotina. Aliás, toma aqui.
Diamante Negro? Meu preferido!
- Alguém esta sorrindo agora...
É... E esse mesmo alguém tem uma geladeira inteira pra arrumar.
- Deixa disso. Te proponho brigadeiro de panela e um romancecinho meloso. Que tal?!
Idiota... Perfeito!

25/01/2013

o q vc qr

O que você  quer, José? O que você quer?
Quer ficar? Quer ir? Quer rolar? 
Sai da inércia, mané!
Será que o que você quer é o que você precisa?
Será que você precisa do que tem?
Será que já é o suficiente? Será que não é?
O que você quer, José?
Seus atos, seus fatos, seus traços... Não correspondem.
Quem é você, José?
José ou josé? Ou jozé? Ou só zé? 
O que você quer?
O que você quer? 

Um sexteto à Maria.

Chora, Maria. Chora!
Chora que é bom pra cabeça.
Chora que limpa os cantinhos da alma.
Chora que alivia.
Chora que passa.
Chora, Maria, Chora!

18/01/2013

Banheiro feminino.

- E aí, enquanto a chuva caía la fora, ele beijava cada pedacinho do seu corpo e vocês faziam sexo incansavelmente, à luz de velas, claro... Foi isso, não foi?
- Claro que não, Juliana.
- Como não, Clara?! Você me disse que foi perfeito! Não entendo...
- Ah, sim, claro. E, obviamente, pra ter uma noite perfeita é preciso se fazer ''sexo incansavelmente', né?!
- Olha, não me entenda mal, mas... Enfim, conte-me então como foi essa sua 'noite perfeita'.
- Sabe, não é que eu não queria fazer sexo. Eu queria! Muito! Sei que ele também queria. Mas ali, naquele momento, era mais que sexo, entende?! Era eu, ele e a chuva la fora. Era o barulhinho do ar condicionado, a cama bagunçada, a meia luz... Era toda a situação que nos levou até ali. Eu não esperava... Quero dizer, a gente nunca acha que pode acontecer algo numa quinta a noite.
- Sei, mas e aí.
- E aí que cada encontro dos nossos lábios era um novo Big Bang. Cada toque de pele, cada suspiro, cada mordidinha na orelha era um acontecimento único. Eu sinto que não poderia ter sido melhor, não poderia ter sido diferente e nem com outra pessoa..
- Nem com o Marcelo?
- Nem com o Brad Pitt!
- Amiga, nunca te vi falar assim! Acho que você esta apaixonada, hein?!
- Acho que... Preciso de sapatos novos!
- Você viu aquele que a Ivete tava usando?
- Lindo, né?!
- Lindíssimo, mas dizem que é de segunda mão!
- Será?!
- Pode apostar. Me empresta o batom?

29/12/2012

Untitle


Sometimes I close my eyes, searching for some love; in the sky, in the bag, in myself, but... You can't find what doesn't exist. I can feel, but I can't see; I can't touch, so I can't belive. Some years ago I listened to one stranger talking about love on an old radio. He said 'Love is our weapon'. Weapon? Is he kidding me? What kind of weapon? A weapon of torture?!...
That's fun! All the peoples believe in love, talk about love, say 'I love you' like a 'good morning, sir', but they don't know WHAT love is. What the real love is. But... Whatever. 'Cause I'm not a teacher. I'm not a specialist in love. And I don't love. Cause I also don't know what love is.

27/12/2012

Carlos, o apostador.

Carlos teve seu coração partido. Acreditava ser dono do mundo, até que o provaram o contrário. Dotado de uma mente habilidosa, Carlos transformava não's em sim's. Driblava inimigos com o olhar. Ganhava corações com um sorriso. Carlos realmente acreditava ser o Rei do mundo, até que teve de seguir em frente.
Vivendo num mundo estagnado, onde tudo girava ao seu redor, Carlos, nosso protagonista, viu-se encurralado em seu próprio jogo. Deu as regras, cantou flertes, mas na hora de por as cartas na mesa foi surpreendido por uma jogada ainda maior de seu adversário, ou, melhor dizendo, adversária. Carlos deixou-se levar pelo doce olhar daquela jovem donzela. Aparentemente dócil, mas de coração feroz, a moça o levou ao ápse de prazer e ódio (que na verdade nunca saíram de sua mente).
Visto o jogo perdido, ele entregou tudo. Jogou as cartas pro ar, pagou a aposta, levantou-se, mas não se foi. Ficou ali. Parado. Rancoroso. Remoendo. Odiando. Até perceber que só o restava seguir. Sem mágoas. Sem ressentimentos. Só com as lembranças do jogo perdido, da aposta perdida e da experiência adquirida. 
Agora que Carlos sabe não ser mais dono do mundo e que também pode perder, está apostando por aí, nas mesas de um bar qualquer, esperando outra adversária a altura que queira flertar com ele.