28/09/2012

Olhos de abraço

Eu sei, o título pode soar um pouco estranho, mas não vejo outra forma ou expressão que possa definir a sensação que tenho sentido ultimamente, tão bem quanto essa. Muita calma nessa hora! Explicar-me-ei para vossas senhorias! 
É cientificamente comprovado por mim, que no frio 99,9% das pessoas ficam carentes. No entanto, acredito que não seja esse o principal agente causador dos 'olhos de abraço'. As causas vão muito além e o frio, pobre e indefeso frio, apenas acentua os sintomas. 
O fato é que eu, você e o zubumafu, estamos carentes de afeto de um modo geral. Carentes de todo o tipo de amor. De olhar no olho do próximo e saber que podemos confiar nele, sem que ele vá tentar de alguma forma nos trapacear por prazer ou interesse. Sério, sem drama, galera. Não estou querendo me colocar como mal amado e não venham me mandar fazer sexo, porque sexo não tem nada a ver com isso. Claro, ajuda aliviar a tensão, mas não é disso que eu to falando.
Eu tô falando daquilo que ta escrito na bíblia "Amar ao próximo como a si mesmo", daquilo que nossa tia do maternal nos ensinou 'seja gentil com seu coleguinha', eu to falando dessas coisas simples que fazem tanta falta no dia-a-dia...
Agora você deve estar se perguntando "e onde entra o tal dos 'olhos de abraço' ?", certo, responder-te-ei! Esses 'olhos de abraço' de que tanto falei, não é nada mais do que aquela sensação que você sente ao olhar no fundo dos olhos daquele amigo de décadas, daquela colega de classe, daquela professora ou, até mesmo, de uma dessas senhorinhas, meigas e solitárias, que passam na rua. É aquela sensação de olhar, sentir e imediatamente pensar 'Poxa, esses olhos pedem um abraço!". 
Não deixem essa sensação se perder, não faça com que ela seja vã. Não espere um momento apropriado, pois simplesmente não há momento desapropriado. Num abraço há mais palavras que num sermão. Um abraço pode curar mais que remédio. Pode salvar. Pode fazer ficar. Pode permitir que vá, mas não só... Com a lembrança de um abraço.
Estou com olhos de abraço, agora :(

25/07/2012

Crise de Existência

Vocês me ensinaram coisas sobre a vida das quais diziam serem certas, mas que nem vocês acreditavam. Então eu me pergunto todos os dias: Por que eu? Por que logo eu tenho que acreditar?  Vocês dizem ser quem longe de mim não são e se não são quem dizem ser, quem sou eu? Sou o que dizem? Sou o que penso? Como posso saber?! Pois é, não posso. Não podem... Não há! E se não há eu, não há vocês, não há se que a concepção do nosso ser. Há simplesmente nada. Um nada tão imenso, que só não é vácuo porque nele não se propaga a luz. E eu sou luz. Porque embora não saiba quem sou, reconheço esse reflexo como meu. Sim! Sou eu ali. Mas quem sou eu? Será que posso criar uma concepção de mim com base no que vejo? Mas e o que eu sinto? Onde entra? Não se encaixa. Não faz sentido... É isso! O sentido! Eu sou o sentido. O sentido da minha existência sou eu. O que é o sentido? Ora, deixe de perguntas... Ei de descobri-lo com o tempo. O importante é que já sei quem sou.

14/07/2012

E não durou...

Quando nada foi feito pra durar, eu só quero fechar os olhos e ter você ao meu lado. Sei que nada é pra sempre e se não durar até o outono que vem, serei feliz por ter estado contigo neste outono.
Eu olho ao meu redor e vejo tudo desmoronar. Vejo tristeza no olhar das pessoas, medo em seus sorrisos... Mas  até a ultima folha do outono é um recomeço, então, acalma-se pequena. Respire fundo e deixe a brisa tirar de ti toda a tristeza que minhas palavras não conseguem tirar. Tenha um pouco de fé, um pouco de amor, um pouco de preguiça, um pouco de sorriso... Aliás, tenha muitos sorrisos! Porque você fica linda sorrindo, ja te disse isso?! Confie! E deixe que o resto Deus da um jeito, ele sempre dá... 

24/05/2012

Feche os olhos. Agora você pode ver?
Tampe os ouvidos. Eu sei que você ainda me ouve gritar.
Tão longe... De alguma forma ainda sinto as batidas do seu coração.

Te vejo, te sinto, te ouço, te beijo. Só
nos meus sonhos, só
zinho.


29/04/2012

Remar.

Ela estava perdida na pista, como se esperasse alguém que a convidasse para dançar. No brilho tímido do seu olhar eu via  medo de errar. Mas era quase tão claro quanto a Lua que a iluminava que seu corpo pedia mundo, pedia música, queria voar. Num súbito impulso tome-ia pela mão e a convidei para dançar. Ela me empurrou, eu resisti. Ela sorriu, eu sorri. A música era agitada, mas dançamos quase que uma valsa solitária. O resto do mundo desapareceu. Com sua dor, com sua flor, com seu medo, com tudo. Fechamos os olhos e acordamos num profundo oceano, onde só nos restava remar. Remar. Re mar. Re amar.
"Você esta pronta?", perguntei-a e ela me respondeu com um "e você?". Ela estava? Eu estava? Queria ouvir um sim, mas só escutava eco de alguma coisa dizendo "Tente". E tentei... Onde vamos chegar ainda não sei, mas o importante ainda estou fazendo. Remando.

Los cuentos de mi vida.

Dia após dia vou escrevendo num papel de pão os contos da minha vida. Escrevo contos pois não gosto de histórias. Para escrever histórias eu precisaria dividir capítulos e ter um trabalho árduo para fazer com que as coisas tenham um minimo de coerência.... Da pra imaginar?! Eu, escrevendo uma história sobre mim com coerência?! Pois então, nos contos, assim como na minha vida, a coerência é restrita à três páginas e olha lá! Tão curta que mal à percebo, e quando me dou conta já estou vivendo outro lance... Inconstante, inconstantes.

25/03/2012

Eu era feliz. Eu tinha um estojo e um compasso. Tinha lápis das cores mais imagináveis e canetinhas das mais variadas porosidades. Eu era um artista, um pintor. Era uma criança dando vida à sua imaginação. Mas um dia tudo se foi. Naquele dia em especial, tudo se foi. Perdi o estojo  e o compasso, e agora não sei os passos da dança. Perdi as cores das tintas, a ponta dos lápis, o bico das canetinhas. Perdi tudo. Perdi os sonhos e a imaginação. Sobrou-me apenas uma borracha branca, que mancha, mas não apaga àquelas doces memórias e nem escreve mais estórias minhas.