22/04/2011

O que sempre foi
Vai novamente
Nunca me pertenceu 
Nunca esteve nos meus braços
Nunca quis ser meu
Mas e eu?
Que sempre fui seu
Que matei amores
E morri pelo seu.
E eu ?
Que te daria o mundo
E eu?
Não se vá...

20/04/2011

Nothing

Aquela vontade de nada voltava à me assombrar. Os dias passavam em horas e tudo me parecia nada, porque, agora, o nada para mim era tudo. Não lembro qual foi a última vez, mas lembro que foi bom... Como deixe escapar? Como me perdi de mim? Eis minha retórica que não cessa.
Minhas lágrimas não fazem tanto sentido agora. Mais uma vez sinto que falhei. Desapontei à todos... Mentira, não desapontei ninguém. Porque dessa vez não tinha ninguém lá por mim. Era só eu, Deus e talvez nem ele. E ainda assim não fui capaz. E não me sinto capaz nem de me expressar, nem de escrever, muito menos de falar... Porque agora eu não preciso de mais nada, porque agora o nada para mim é tudo.

14/12/2010

N A D A

Um sentimento de nada.
Nada que você ou eu ou ele, nem ela, nem aquele , nem aquela, possa explicar
Nada que possa ser dimensionado
Nada que ja tenha sido visto, sentido, olhado, vestido, falado, colocado, nada.
Nada que seja irrelevante
Nada que se possa relevar
Um nada que não é nada
Nada que é tudo
Tudo, tudo, tudo, tudo, nada!
Nada, mas nada mesmo.
Simplesmente
Nada.

11/12/2010

Destino

É uma noite qualquer de outono, faz calor, mas as folhas do pinheiro de Natal ainda estão molhadas da chuva que à pouco caiu. É sábado a noite e lá fora pessoas comuns  esbanjam sorrisos e transbordam uma certa alegria inventada. Eu leio as paginas em branco de um livro sobre nada, procurando qualquer coisa que  soe como resposta para perguntas desvairadas que as vezes ouso inventar. Enquanto o manto da noite cai, sou assombrado por lembranças que insistem em rondar meus pensamentos, logo sou tomado por um vazio extremo, que parece não mais ter fim. Quando a ultima lágrima chega ao chão, sou envolto por uma brisa faceira, algo suave, uma sensação rara, que é traga por uma tímida luz que surgiu distante. Tentei chama-la, pega-la e ao menos toca-la, porém algo me estagnou, por mais que eu quisesse aquilo era mais forte que eu. Por um instante tentei entende-la, e foi então que percebi que para entender certas coisas antes é preciso sentir. Fechei os olhos e entreguei-me à ela, adormeci, e acordei num reino de quimeras segurando suas mãos brancas e frias, a dor havia cessado, então tudo fez sentido. Não era as pessoas, as perguntas e nem minha busca por respostas que me afligia, era a impossibilidade de mudar o destino, que fizera viver em morte suas mãos brancas e frias.

01/11/2010

18 Anos...

Eu sempre achei que quando fizesse 18 anos tudo iria mudar. Eu realmente acreditava que da noite pro dia me tornaria forte, corajoso, responsável e tudo aquilo que os adultos normalmente são. Achei que agora seria tudo diferente, tudo! Porém, mais uma vez me enganei...
Ontem, foi minha primeira noite como"adulto", e eu cumpri meu ritual diário: escovei meus dentes, desliguei meu computador, liguei a Tv num filme qualquer e fui me deitar. E então peguei no sono. Enquanto eu dormia eu tive um pesadelo, um daqueles horríveis, daqueles que parecem reais, que você tenta gritar e não consegue, que você quer chorar mas não pode, que você tenta correr mas cai num buraco sem fim, e por fim acorda desesperado. Eu olhei ao meu redor com medo, assustado, eu queria chamar minha mãe, queria que alguém viesse acender a luz e dizer que estava tudo bem, eu queria um abraço, um daqueles que nossa mãe nos dá quando somos crianças... Aí é que tá, eu não era mais uma criança. Ainda com medo, eu me levantei,acendi a luz, sentei num cantinho da luz e chorei um pouquinho,como uma criança faz... E percebi que, embora eu tivesse meus 18 anos, eu não podia evitar, no fundo eu ainda era uma criança. Meus medos, meus sonhos, minhas lembranças de criança ainda estavam aqui... E não seria os tais 18anos que as tiraria de mim. Ou pelo menos não de um dia para o outro. Eu posso ter ficado mais velho, me tornado adulto, mas só no papel Porque no fundo, de verdade, o rozinho com seus medos ainda está aqui. Tentando amadurecer, mas está!

12/10/2010

I Dreamed a Dream...

" Eu tive um sonho que minha vida seria tão diferente deste inferno que estou vivendo"
Eu sei que este video é antigo. Ok, ele é muito antigo. Mas em um dos meus momentos de estranheza total resolvi ver aquele vídeo da Susan Boyle... Sim, aquele antigo, no qual ela é selecionada para Britain's Got Talent, acho que é isso. E aí que enquanto eu via aquela velha mulher, não tão bonita, com um corpo nata escultural se expondo à um país inteiro, comecei a chorar. Eu vi todas aquelas pessoas inicialmente zombando da sua cara, rindo e pensando " Ora, o que essa velha quer aqui?" e logo depois à aplaudindo de pé, minhas lágrimas simplesmente rolavam em meu rosto sem eu saber exatamente porque. 
Foi então que me vi no lugar dela e perguntei à mim mesmo quantas outras Susan's Boyle não existem por aí. Quantas outras pessoas, assim como ela, estão sendo reprimidas pelos seus sonhos, estão deixando de viver, de lutar, de buscar o que tanto anseiam por medo de rirem delas, por receio de serem ridicularizadas na frente de todos. Quantas pessoas não sonha apenas... Estive pensando em mim, nas coisas que tenho feito ultimamente e notei que sou mais uma Susan escondido na sociedade, sou mais um que tem sonhos, mas que permite à vida mata-los. E embora eu queira mudar isso, por mais que eu busque soluções, a vida parece um tigre feroz ao passo que meus sonhos são preza fácil e estão à todo tempo sendo rasgados e dilacerados por esses tigres que muitas vezes são às palavras dos meus pais, as atitudes dos meus amigos e a pedra lançada por meus inimigos antes mesmo que eu consiga fazer algo.
E por mais que eu me esforce, esse é um post que eu não tenho como terminar...

11/10/2010

Conversa de Botiquim

Um homem jovem, de aparência nobre, sapato preto e engraxado e cabelos ligeiramente bagunçados entra no velho botequim e se senta ao balcão. Enquanto uns o encaram mal, outros nem notam sua presença. O dono do bar se aproxima pelo outro lado e diz:
- E então, o que vai querer?
- Me da um conhaque, por favor. - respondeu o homem passando a mão em seus cabelos como se estivesse exausto de alguma coisa.
Um outro senhor descompromissado se aproxima, senta-se ao seu lado e pede uma cerveja à garçonete, é servido logo, enquanto o jovem rapaz espera inquieto sua bebida. O senhor ao seu lado, vendo a agitação do rapaz, pergunta:
- Está tudo bem, meu rapaz? Posso estar velho e um pouco bêbado, mas ainda sirvo para dar bons conselhos...
- Não, não, está tudo bem! 
- Aqui está sua bebida, são 4 pilas... Pague antes de ficar bêbado ou será jogado para fora como sempre acontece com o imundo aí ao seu lado. - disparou o dono do bar.
- Oh,me desculpe! Está aqui... - Respondeu o rapaz, ainda aflito tentando esquivar-se do velho senhor.
-  Arg, o dono desse bar é um ogro! - disse o velho senhor - Não sei porque ainda bebo neste botequim! Mas continuando, conte-me rapaz, o que lhe aflige?
- Bom, na verdade eu estou perdido...
- Perdido? E para onde o moço ia?
- Para lugar algum!
- Para lugar algum?! E como pode isso?! Olha... Vou confessar que se eu também estivesse indo para lugar algum com certeza ficaria perdido! 
- Não, o senhor não entendeu...
- Então explique para esse velho par de botas...
- Eu não me perdi de um lugar, me perdi de alguém. Entendeu?!
- Oh, sim claro... de alguém! De uma bela moça, talvez!?
- Sim, quer dizer, não...
- De um homem?! Seria seu pai? Você se perdeu de seu pai... 
- Não! - interrompeu o rapaz - Não é de meu pai que me perdi ...
- Ora, esta conversa está ficando complicada de mais pra mim.Diga-me então,seja claro e direto, de quem o moço se perdeu? hein? 
- De mim!
- De quem?
- De mim, de eu mesmo. Entende?
- Acho que sim, mas... Como?
- Não sei!
- Não sabe, tipo, não sabendo?!
- É... acho que sim.
- Então, quem sabe?
- Achei que o senhor, como um velho e bom conselheiro que diz ser, saberia.
- É, mas achou errado...
- Espere, aonde o senhor vai?
- Embora meu filho, embora...
- Mas...Er, não sei porque achei que alguém poderia me ajudar... Ei, garçom, mê ve outro conhaque, duplo, por favor...