01/11/2010

18 Anos...

Eu sempre achei que quando fizesse 18 anos tudo iria mudar. Eu realmente acreditava que da noite pro dia me tornaria forte, corajoso, responsável e tudo aquilo que os adultos normalmente são. Achei que agora seria tudo diferente, tudo! Porém, mais uma vez me enganei...
Ontem, foi minha primeira noite como"adulto", e eu cumpri meu ritual diário: escovei meus dentes, desliguei meu computador, liguei a Tv num filme qualquer e fui me deitar. E então peguei no sono. Enquanto eu dormia eu tive um pesadelo, um daqueles horríveis, daqueles que parecem reais, que você tenta gritar e não consegue, que você quer chorar mas não pode, que você tenta correr mas cai num buraco sem fim, e por fim acorda desesperado. Eu olhei ao meu redor com medo, assustado, eu queria chamar minha mãe, queria que alguém viesse acender a luz e dizer que estava tudo bem, eu queria um abraço, um daqueles que nossa mãe nos dá quando somos crianças... Aí é que tá, eu não era mais uma criança. Ainda com medo, eu me levantei,acendi a luz, sentei num cantinho da luz e chorei um pouquinho,como uma criança faz... E percebi que, embora eu tivesse meus 18 anos, eu não podia evitar, no fundo eu ainda era uma criança. Meus medos, meus sonhos, minhas lembranças de criança ainda estavam aqui... E não seria os tais 18anos que as tiraria de mim. Ou pelo menos não de um dia para o outro. Eu posso ter ficado mais velho, me tornado adulto, mas só no papel Porque no fundo, de verdade, o rozinho com seus medos ainda está aqui. Tentando amadurecer, mas está!

12/10/2010

I Dreamed a Dream...

" Eu tive um sonho que minha vida seria tão diferente deste inferno que estou vivendo"
Eu sei que este video é antigo. Ok, ele é muito antigo. Mas em um dos meus momentos de estranheza total resolvi ver aquele vídeo da Susan Boyle... Sim, aquele antigo, no qual ela é selecionada para Britain's Got Talent, acho que é isso. E aí que enquanto eu via aquela velha mulher, não tão bonita, com um corpo nata escultural se expondo à um país inteiro, comecei a chorar. Eu vi todas aquelas pessoas inicialmente zombando da sua cara, rindo e pensando " Ora, o que essa velha quer aqui?" e logo depois à aplaudindo de pé, minhas lágrimas simplesmente rolavam em meu rosto sem eu saber exatamente porque. 
Foi então que me vi no lugar dela e perguntei à mim mesmo quantas outras Susan's Boyle não existem por aí. Quantas outras pessoas, assim como ela, estão sendo reprimidas pelos seus sonhos, estão deixando de viver, de lutar, de buscar o que tanto anseiam por medo de rirem delas, por receio de serem ridicularizadas na frente de todos. Quantas pessoas não sonha apenas... Estive pensando em mim, nas coisas que tenho feito ultimamente e notei que sou mais uma Susan escondido na sociedade, sou mais um que tem sonhos, mas que permite à vida mata-los. E embora eu queira mudar isso, por mais que eu busque soluções, a vida parece um tigre feroz ao passo que meus sonhos são preza fácil e estão à todo tempo sendo rasgados e dilacerados por esses tigres que muitas vezes são às palavras dos meus pais, as atitudes dos meus amigos e a pedra lançada por meus inimigos antes mesmo que eu consiga fazer algo.
E por mais que eu me esforce, esse é um post que eu não tenho como terminar...

11/10/2010

Conversa de Botiquim

Um homem jovem, de aparência nobre, sapato preto e engraxado e cabelos ligeiramente bagunçados entra no velho botequim e se senta ao balcão. Enquanto uns o encaram mal, outros nem notam sua presença. O dono do bar se aproxima pelo outro lado e diz:
- E então, o que vai querer?
- Me da um conhaque, por favor. - respondeu o homem passando a mão em seus cabelos como se estivesse exausto de alguma coisa.
Um outro senhor descompromissado se aproxima, senta-se ao seu lado e pede uma cerveja à garçonete, é servido logo, enquanto o jovem rapaz espera inquieto sua bebida. O senhor ao seu lado, vendo a agitação do rapaz, pergunta:
- Está tudo bem, meu rapaz? Posso estar velho e um pouco bêbado, mas ainda sirvo para dar bons conselhos...
- Não, não, está tudo bem! 
- Aqui está sua bebida, são 4 pilas... Pague antes de ficar bêbado ou será jogado para fora como sempre acontece com o imundo aí ao seu lado. - disparou o dono do bar.
- Oh,me desculpe! Está aqui... - Respondeu o rapaz, ainda aflito tentando esquivar-se do velho senhor.
-  Arg, o dono desse bar é um ogro! - disse o velho senhor - Não sei porque ainda bebo neste botequim! Mas continuando, conte-me rapaz, o que lhe aflige?
- Bom, na verdade eu estou perdido...
- Perdido? E para onde o moço ia?
- Para lugar algum!
- Para lugar algum?! E como pode isso?! Olha... Vou confessar que se eu também estivesse indo para lugar algum com certeza ficaria perdido! 
- Não, o senhor não entendeu...
- Então explique para esse velho par de botas...
- Eu não me perdi de um lugar, me perdi de alguém. Entendeu?!
- Oh, sim claro... de alguém! De uma bela moça, talvez!?
- Sim, quer dizer, não...
- De um homem?! Seria seu pai? Você se perdeu de seu pai... 
- Não! - interrompeu o rapaz - Não é de meu pai que me perdi ...
- Ora, esta conversa está ficando complicada de mais pra mim.Diga-me então,seja claro e direto, de quem o moço se perdeu? hein? 
- De mim!
- De quem?
- De mim, de eu mesmo. Entende?
- Acho que sim, mas... Como?
- Não sei!
- Não sabe, tipo, não sabendo?!
- É... acho que sim.
- Então, quem sabe?
- Achei que o senhor, como um velho e bom conselheiro que diz ser, saberia.
- É, mas achou errado...
- Espere, aonde o senhor vai?
- Embora meu filho, embora...
- Mas...Er, não sei porque achei que alguém poderia me ajudar... Ei, garçom, mê ve outro conhaque, duplo, por favor...

29/09/2010

Morte

Num suspiro profundo, me afasto do chão.
Leve feito folhas de outono, voo sem direção.
Cada vez mais alto, sinto que posso tocar o céu.
A brisa é suave e faceira, ao passo que encanta, traz-me o fel.
O som das arpas ecoa na eternidade.
Da-me paz, Leva-me a dor.
Cada vez mais distante, sinto que não sei mais quem sou.
Da-me paz, Leva-me a dor.

28/09/2010

A chuva

A chuva que caia la fora era fina, mas minha mente era tomada por uma tempestade de pensamentos.
Enquanto a garoa lavava as folhas da árvore e alimentava a terra seca, eu era destruido pela força da chuva. Os raios ao passo que iluminavam meus pensamentos, me cegavam  e os ventos me tiravam do chão, me levavam pra longe de você, me levavam pra longe de mim. E eu já não sei quem sou.
Mas a mesma chuva que com suas gotas me afogou, me deu forças pra continuar. A brisa que embalava a garoa que la fora me molhava, entrou por meus poros e lavou minha alma, tirou todo meu pesar, tirou a lama e as pedras do meu caminho e me levou de volta à alguém que eu ja havia esquecido. Eu! E comigo pude te encontrar.

27/09/2010

Centrifugando um desabafo.

Com você me sinto cheio de nada, mas sem você me sinto vazio.
Você quer saber como me senti naquela noite em que te disse adeus?
Bom, eu não sei como me senti, mas sei que eu estava lá... Eu apenas abri a boca e quando me dei conta já tinha dito o que eu escondia até de mim.
Você quer saber como me senti naquela noite em que te vi partir?
Bom, eu não sei como me senti, mas sei como me sinto, e dói tanto... pois quando fecho os olhos é em você que eu penso, e as palavras que escrevo são sempre a combinação do seu nome. E a melhor parte do meu dia é quando me deito pra dormir, pois nos meus sonhos te tenho comigo e aí é só você e eu.
Você quer quer saber o que vou fazer agora, sem você?
Bom, eu também...!

05/09/2010

O conto dos Vaga-lumes.

Sofia era uma típica garota do subúrbio dos Estados Unidos. Mas o que à diferia das tantas outras garotas, eram os cabelos avermelhados e as sardas espalhadas por sua pele clara. A pequena era muito agitada! Fazia aulas de jazz as segundas, Teatro as terças e quartas, nas quintas ajudava sua mãe nos afazeres doméstico, nas sextas prestava caridade no canil da cidade e aos sábados de manhã fazia piano clássico. E meio à toda essa rotina, ela ainda arrumava tempo para ir ao bosque que ficava perto de sua casa, alias, ir ao bosque era a parte que ela mais gostava de sua rotina, e ela ia lá todos os dias.
Sofi, como chamava sua mãe, era muito sonhadora. Quando pequena, quero dizer, quando mais pequena que agora, sonhava em ser uma fada! Todas as tardes, Sofi ia ao velho bosque e ficava brincando no balanço de pneu que seu avô havia feito. Cada vez mais alto, ela se imaginava voando com os pequenos vaga-lumes que enfeitavam o anoitecer. Os Vaga-lumes era seus melhores amigos. À eles, Sofi contava todos os seus segredos, seus sonhos, seus medos. Com os Vaga-lumes ela passava as horas mais divertidas do seu dia, brincava de esconder, de inventar histórias, de contar estrelas... Certa vez, ela resolveu que queria brincar de pega-pega, mas bastou um pequeno desequilibrio para que ela acertasse em cheio um de seus amigos! Sofi parou, olhou e ficou um bom tempo o observando com os olhos esbugalhados, na esperança de que seu bum bum voltasse a piscar. Aquele, por incrível que pareça, foi um dos dias mais tristes de sua vida, ver um de seus amigos partir.
Durante muito tempo Sofia passou as tardes no bosque com seus pequenos companheiros, mas com a chegada da adolescência, dos garotos, das "coisas de meninas" e dos afazeres mais sérios, as idas de Sofia ao bosque foram se tornando cada vez mais raras, e embora ele ainda tivesse um lugar especial em seu coração e suas lembranças fossem as mais nobres possíveis, ela não era mais a mesma. Sofi estava prestes à fazer 18 anos e decidiu, junto do seus pais, que ganharia um apartamento de aniversário. A tão esperada data chegou e seus pais compraram um lindo apartamento em 500 parcelas de uma empreiteira da cidade. Sofi transbordava de felicidade, e queria contar a tamanha conquista para alguém, foi quando se lembrou de quando ganhou sua primeira bicicleta de rodinhas, ela se sentiu tão , mais tão feliz que foi correndo contar para seus amigos vaga-lumes... Lembrando disso, sendo tomada por tamanha nostagia, Sofi resolveu que era a hora de voltar ao bosque para rever seus pequenos vaga-lumes.

C O N  T  I  N U A ...

Galera, cometa aí... Se vocês curtirem eu continuo :D