29/04/2012

Remar.

Ela estava perdida na pista, como se esperasse alguém que a convidasse para dançar. No brilho tímido do seu olhar eu via  medo de errar. Mas era quase tão claro quanto a Lua que a iluminava que seu corpo pedia mundo, pedia música, queria voar. Num súbito impulso tome-ia pela mão e a convidei para dançar. Ela me empurrou, eu resisti. Ela sorriu, eu sorri. A música era agitada, mas dançamos quase que uma valsa solitária. O resto do mundo desapareceu. Com sua dor, com sua flor, com seu medo, com tudo. Fechamos os olhos e acordamos num profundo oceano, onde só nos restava remar. Remar. Re mar. Re amar.
"Você esta pronta?", perguntei-a e ela me respondeu com um "e você?". Ela estava? Eu estava? Queria ouvir um sim, mas só escutava eco de alguma coisa dizendo "Tente". E tentei... Onde vamos chegar ainda não sei, mas o importante ainda estou fazendo. Remando.

Los cuentos de mi vida.

Dia após dia vou escrevendo num papel de pão os contos da minha vida. Escrevo contos pois não gosto de histórias. Para escrever histórias eu precisaria dividir capítulos e ter um trabalho árduo para fazer com que as coisas tenham um minimo de coerência.... Da pra imaginar?! Eu, escrevendo uma história sobre mim com coerência?! Pois então, nos contos, assim como na minha vida, a coerência é restrita à três páginas e olha lá! Tão curta que mal à percebo, e quando me dou conta já estou vivendo outro lance... Inconstante, inconstantes.